Existem Pecados Grandes e Pequenos?

Existem Pecados Grandes e Pequenos?

Aprendi desde criança que não há diferença alguma entre pecadão ou pecadinho, que não há tamanho de pecado, diferença entre eles. Isso é verdade? Eu descobri que não. Lendo a palavra de Deus, descobri que há pecados maiores do que outros.

O Senhor Jesus, enquanto conversava com Pilatos, por ocasião do seu julgamento ou do seu suposto julgamento, lhe diz, em João capítulo 19:11: “Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem. Palavras do Senhor Jesus: “Quem me entregou a ti maior pecado tem.” Ou seja, não podemos dizer que não há distinção entre pecado e pecado, pecadinho ou pecadão, quando Jesus está falando sobre alguém que comete o maior pecado.

E aqui eu não quero apenas falar de “um” maior pecado, mas “do” maior pecado. E para que a gente possa falar do que é esse “o maior pecado”, nós precisamos começar pela distinção entre pecado e pecado. É lógico que quando falamos em termos de salvação, não é o tipo de pecado que o homem comete que vai afetar ou não o seu relacionamento com Deus.

Qualquer forma de pecado nos separa de Deus

Qualquer forma de pecado compromete a nossa vida espiritual e a nossa relação com Deus. Quando falamos do relacionamento do homem com Deus, da distância, da separação criada pelo pecado. Lá em Isaías 59, nós lemos: “as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus de modo que ele não vos ouça.” Então nós sabemos que o pecado nos separa de Deus. Agora, não importa o tipo de pecado, a consequência da separação de Deus será sempre a mesma.

Agora, eu não quero falar apenas de como o pecado nos afeta no sentido da separação de Deus, mas eu quero que a gente pense em termos de consequência. Por exemplo, se eu minto para alguém, eu posso consertar isso depois confessando e falando a verdade. Se eu mato alguém, eu já não tenho como reparar isso. Então, naturalmente falando, é lógico que existe gravidade, é lógico que existe consequência diferente e, no âmbito espiritual, não é diferente.

Por exemplo, no primeiro livro de Samuel, lá no capítulo 2, no versículo 17 a bíblia diz: “era muito grande o pecado que os filhos de Eli cometiam.” Como Deus diria que um pecado é muito grande se não houvesse distinção em relação aos demais pecados?

Em Êxodo 32, a palavra de Deus também nos fala, lá nos versículos 30 e 31, que quando a nação de Israel levanta aquele bezerro de ouro, eles cometeram um grande pecado. A mesma referência será usada depois em 2 Reis, no capítulo 17, no versículo 21, quando fala de como Jeroboão, ao fazer os bezerros de ouro, levou a nação a cometer os mesmos pecados. E a bíblia fala de um grande pecado.

Então, embora em termos de relacionamento com Deus, os pecados nos igualem, quando falamos da necessidade de salvação e reconciliação (e a gente não pode dizer que haja diferença), Tiago diz: “quem tropeça num só ponto da lei, tropeçou em todos.” Não é o tipo de mandamento que eu quebro que define a condição da minha relação com Deus.

Quando falho em um, eu tropecei em todos. Agora, quando falamos do dia a dia da caminhada com o Senhor, da gravidade deles, do impacto e da consequência que eles podem produzir, não dá para dizer que não há diferença quando a bíblia está fazendo a relação entre os pecados que cometemos. Aliás, uma das formas de percebermos isso, é quando a bíblia fala a respeito de recompensas.

As pessoas serão julgadas de acordo com as suas obras, não só as boas obras, mas tudo aquilo que fizermos de ruim também. As pessoas que forem para a perdição do inferno, não vão viver necessariamente o mesmo tipo de recompensa.

Assim como aqueles que vão estar com a salvação garantida por conta da obra de Jesus e de terem crido e recebido isso por fé, assim como eles vão ter uma recompensa diferente, aqueles que se perderem também estarão debaixo de uma recompensa diferenciada. E não haveria distinção de recompensa entre os perdidos e salvos se não houvesse distinção naquilo que eles fizeram.

Quando temos isso em mente, nós podemos associar também a isso, porque ainda reforça e fortalece a ideia, o fato de que, de acordo com o conhecimento de cada um, Deus vai nos tratar e Deus vai nos julgar de forma diferente.

Por exemplo, a declaração nós vemos no livro de Daniel foi escrita na parede: “MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM.” Ela é uma declaração que, interpretada diz: “pesado foste na balança e achado em falta.” Significa que Deus tem uma balança. Deus tem medidas com as quais ele vai nos comparar. E aqui nós precisamos entender que nem todos são pesados exatamente da mesma forma.

Não quer dizer balanças diferentes, mas Deus tem critérios para nos avaliar e um deles, que para mim fica claramente revelado na palavra de Deus, é a questão do conhecimento. Por exemplo, no evangelho de Lucas, no capítulo 12, o Senhor Jesus fala sobre a diferença entre aquele que conheceu a vontade do seu Senhor e não a praticou e aquele que não conheceu a vontade do seu Senhor e não a praticou.

O texto diz assim, Lucas e 48: “aquele servo, porém, que conheceu a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites.

Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.” A palavra de Deus está dizendo que tanto um como outro, por não fazer a vontade do Senhor, será julgado, será açoitado.

No entanto, aquele que conheceu a vontade e não fez, receberá mais açoites do que aquele que não conheceu. O fato de não ter conhecido, a ignorância não isenta aquele que não fez a vontade do seu senhor. Ele será punido porque deveria ter buscado conhecer.

Mas aquele que conhecendo, deliberadamente não fez, será julgado de uma forma muito mais severa. Então, nós podemos entender que ter ou não ter conhecimento, nos leva a ser tratados e julgados por Deus de uma forma diferente.

E é importante a gente enxergar isso porque isso começa nos trazer luz e entendimento sobre a declaração de Jesus para Pilatos, quando ele diz: “quem me entregou a ti maior pecado tem” de quem ele estava falando? Será que ele estava falando simplesmente dos judeus que o entregaram?

Ou o Senhor Jesus aqui está falando a respeito de Judas, que caminhou a seu lado, que o conheceu profundamente e que foi quem o entregou aos judeus, de modo que os judeus pudessem entregar Jesus a Pilatos? Ele está dizendo: “quem me entregou a ti tem maior pecado.” Por quê? Ele está dizendo que Judas tinha um conhecimento muito maior e mais profundo de quem ele era do que os próprios judeus.

Aliás, o apóstolo Paulo, em 2 Coríntios, no capítulo 2, no versículo 8, diz que se os poderosos dessa época tivessem conhecido ao Senhor Jesus jamais teriam crucificado o Senhor da glória. Então é óbvio que, tanto as autoridades dos judeus, como o próprio Pilatos, a autoridade romana, não sabiam quem era Jesus.

Não tinham a revelação e o conhecimento de quem era, senão a própria escritura diz que eles jamais teriam feito isso. Judas, no entanto, o conheceu. E Jesus está dizendo: “quem me entregou a ti maior pecado tem.”

A grande verdade é que, quando conhecemos o Senhor e agimos rejeitando, renegando o Senhor depois de tê-lo conhecido, nós estamos cometendo o maior pecado que se pode cometer.

A palavra de Deus chega ao ponto de fazer a seguinte classificação: no livro de Hebreus, no capítulo 10, no versículo 26, a bíblia diz: “porque se vivemos deliberadamente em pecado depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados.”

Alguém pode chegar ao ponto de sequer poder ter mais perdão, porque depois de ter o pleno, não algum, o pleno conhecimento da verdade, essa pessoa deliberadamente volta as costas ao Senhor Jesus e decide viver no pecado.

Precisamos entender e compreender esse tipo de declaração da palavra de Deus. Por quê? Quando há o conhecimento, a forma como seremos julgados e a maneira como Deus trata o tipo de pecado que estamos cometendo, é diferente de quando não há conhecimento.

O próprio apóstolo Pedro escreve a respeito disso e ele diz, na sua segunda epístola, lá no capítulo 2, ele faz a seguinte declaração no versículo 20: “Portanto, se depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior do que o primeiro.”

Agora preste atenção, verso 21 de 2 Pedro 2, ele diz: “Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado.” O propósito dessa minha mensagem é principalmente aqueles que já conheceram o Senhor Jesus e estão se permitindo distanciar, afastar-se do Senhor Jesus.

Nós precisamos entender que isso não é um tipo de pecado qualquer. Depois de conhecer ao Senhor, apartar-se do santo mandamento nos coloca numa situação terrivelmente delicada. O texto está dizendo com todas as palavras: “seria melhor nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, depois de conhecê-lo, voltarem atrás.” Agora vamos pensar o que seria melhor.

Se quem nunca conheceu o caminho da justiça, está selado à condenação eterna do inferno, qual é o destino daqueles que, tendo conhecido o Senhor, voltaram as costas para o próprio Senhor Jesus? Se quem, sem tê-lo conhecido, já vai paro inferno e a bíblia está dizendo que era melhor não ter conhecido, conhecer e voltar as costas, qual será o destino daqueles que, tendo pleno conhecimento da verdade voltaram-se para trás? Nós precisamos, debaixo do temor do Senhor, entender que conhecer a Jesus não é só um privilégio, é uma responsabilidade.

E nós temos a responsabilidade de permanecer firmes, de permanecer fiéis, de não brincarmos com a salvação que nos foi oferecida, de andarmos na presença do Senhor, de valorizarmos aquilo que ele nos oferece. Porque não fizemos isso, pior do que apenas os pecados que tínhamos, do que a natureza pecaminosa com a qual nascemos (que já nos mantinha longe do Senhor), seremos julgados do maior pecado.

É aquele em que, tendo o pleno conhecimento da verdade, nos permitimos voltar as costas para o Senhor. Deliberadamente viver em pecado, nos levará a uma condição pior. Por quê? Agora, diferente de antes da conversão, podemos cruzar uma linha sem volta. Uma linha onde talvez nem se quer haja perdão. Então eu apelo ao seu coração: não brinque com isso.

Se seu coração tem se esfriado, se você começou a pisar fora do caminho ouça aquela voz atrás de si dizendo: esse é o caminho, ande nele, não desvie para a direita. Não desvie para a esquerda.

Fortaleça-se no Senhor. Volte-se para ele de todo o coração e não cometa o maior pecado. .

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