Não Fique Preso ao Seu Passado

Não Fique Preso ao Seu Passado

Gente passando aqui hoje para trazer uma mensagem ao seu coração. Não fique preso ao passado. Para a nova geração isso aqui é uma definição de passado. A geração dos meus filhos não conheceu o telefone público, demorou para entender o que significa “cair a ficha”, que é quando nós colocávamos o crédito comprado e completava a ligação. Isso, para a nova geração que só conheceu o celular, que mal usa o telefone fixo, é um símbolo do passado e é dentro dessa cabine que eu quero dizer a você: não fique preso no seu passado, Deus não quer que você esteja preso ao seu passado. Gente, eu estou hoje em Londrina, no Paraná, no lago Igapó passando para compartilhar essa palavra ao seu coração. O apóstolo Paulo diz: “esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão adiante de mim, prossigo para o alvo para o prêmio da soberana vocação de Deus, em Cristo Jesus”.

É baseado nessa declaração do apóstolo Paulo, lá em Filipenses no capítulo 3, no versículo 14 que eu quero fundamentar a nossa conversa sobre desprender-se do passado. Nós precisamos entender que isso não é apenas uma sugestão, não é apenas um conselho é uma orientação da palavra de Deus para nós. Quando Paulo diz: “esquecendo-me das coisas que para trás ficam”, ele mostra que muitas vezes há pessoas que não conseguem esquecer o passado. Tem gente que permanece presa no passado e, muitas vezes, essa prisão não envolve apenas a lembrança de coisas ruins, nós podemos nos prender até mesmo a coisas boas. Mas, muitas vezes, o aprisionar-se, O deixar-se ser preso pelo passado está nos impedindo de avançar, de seguir adiante, de caminhar rumo aquilo que nos aguarda. Já ensinamos que a vida cristã tem etapas diferentes. Entramos por uma porta, trilhamos um caminho em direção a um alvo e algo que normalmente nos prejudica em relação a trilhar o caminho e prosseguir para o alvo, é justamente essa coisa de se prender naquilo que ficou, é justamente prender-se Ao nosso passado.

Há diversas formas de prisão. E eu quero abordar rapidamente algumas delas. Em primeiro lugar, me vem à memória a declaração do Senhor Jesus quando diz: “lembrai-vos da mulher de Ló.” Quando o Senhor pede que nos lembremos é porque há uma lição ali. Essas coisas não foram escritas apenas para que a gente soubesse que algo aconteceu ao longo da cronologia de um povo, de uma nação, dos patriarcas mas a palavra de Deus nos apresenta lições. Em 1 Coríntios, no capítulo 10, no verso 11 Paulo diz: “essas coisas foram escritas para advertência nossa de quem são chegados os fins dos tempos.” Jesus deixa claro quando ele diz: “lembrai-vos da mulher de Ló”. A palavra de Deus nos mostra uma orientação que Deus deu, que eles deixassem um lugar onde o pecado havia se agravado de uma forma terrível, a ponto de Deus ter que trazer juízo.

Mas porque Deus não julga o justo com o ímpio, Deus dá a Ló a oportunidade de sair com toda a sua família. Mas a orientação que Ló recebe do Senhor não apenas para si, mas para toda sua casa é: não olhe para trás. E a palavra de Deus nos mostra que a mulher de Ló desobedeceu isso. Esse “olhar para trás”, inclusive nós precisamos entender o significado que estava em não olhar para trás, Deus estava falando de um profundo desprendimento. Deus estava dizendo: “rompa definitivamente com esse lugar. Se mova para adiante, para aquilo que eu tenho pra vocês e não se enrosque, não tenha saudades.” Por que alguém olharia para trás? Porque estaria dando valor ao lugar de onde estava saindo.

E orientação de Deus era justamente que eles se posicionassem a respeito disso. A lição que eu aprendo é que, quando essa mulher vira, olha para trás e se transforma numa estátua de sal é julgada por Deus. Nós precisamos entender a importância do desprendimento. Tem pessoas que saíram do mundo mas não permitiram que o mundo saísse de dentro delas. John Wesley dizia que a conversão tira o cristão do mundo, mas a santificação é que tira um mundo de dentro do cristão.

No livro de Atos, Estevão, quando está pregando e fala daquela geração que saiu do Egito, disse que no seu coração eles voltaram ao Egito, eles tiveram saudades do Egito. E tem gente que ainda está presa ao passado quase como que lamentando ter sido salva. Ele olha para o pecado e tem lembrança dos prazeres do pecado com saudade, quase como quem diz: “puxa, que pena, me converti ! Deus me tirou daquela vida boa e agora não posso mais.” Infelizmente tem pessoas vivendo dessa forma, porque não têm a perspectiva do que é um encontro com o Senhor Jesus nem tão pouco daquilo que lhes aguarda.

Estão presos a essas práticas. Outros, não estão presos no passado, como a mulher de Ló no sentido de olhar e dizendo: “eu não quero deixar isso”, mas estão presos à culpa e à condenação daquilo que fizeram. Eles hoje se converteram, a palavra de Deus diz: “se alguém está em Cristo é uma nova criatura. As coisas velhas já passaram, tudo se fez novo”, está lá em 2 Coríntios 5:17.

Romanos diz: “já não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo.” Mas algumas pessoas às vezes não conseguem entender a dimensão do perdão, a manifestação da graça de Deus. E ele continua preso à culpa do passado. Muitos de nós quando chegamos a Cristo e tivemos um encontro com ele e viemos, talvez, de um passado duro, pesado, de práticas pecaminosas das quais nos arrependemos profundamente, mas algo que nós precisamos entender é que Deus, na manifestação do seu amor, da sua graça, da multidão da sua misericórdia, não apenas nos perdoou, a bíblia diz que ele nos justificou. O apóstolo Paulo diz: “olha, há várias pessoas que não vão herdar o reino de Deus.” Ele fala de roubadores, ele fala de imorais, ele fala de gente cometeu todo o tipo de pecado, e ele diz: “tais fostes alguns de vós”, mas em 1 Coríntios, no capítulo 6, no verso 11 ele diz: “mas fostes lavados, mas fostes justificados, mas fostes santificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus.” Algo que nós precisamos aprender é nos desprender do peso da culpa do passado e olhar para a frente de cabeça erguida dizendo: “o sangue de Jesus me lavou, o sangue de Jesus me purificou.

Eu não estou mais preso a nada daquilo que eu cometi por causa da bendita obra redentora do Senhor Jesus.” Precisamos nos livrar da culpa, precisamos entender não só o perdão mas a justificação e isso significa conseguir olhar para trás, ainda que seja na lembrança do nosso passado e recordar apenas uma coisa: a boa mão do Senhor nos alcançou. Deus nos tirou daquele lugar de pecado e agora nós somos novas criaturas. A bíblia diz: “não há condenação para quem está em Cristo Jesus.” Paulo, escrevendo aos romanos diz: “é Deus quem os justifica, quem os condenará?” Eu e você fomos livres da condenação. Não apenas tivemos um perdão, nós somos justificados, nós somos inocentados e libertos de toda a culpa. Então você precisa entender o que Jesus fez por você e se desprender da culpa do passado.

Alguns estão presos no passado no aspecto emocional. Tiveram experiências dolorosas, tiveram marcas profundas na sua alma. Talvez foram decepções, talvez foram feridas mas nós precisamos lembrar que a obra do Senhor Jesus também envolve isso. A palavra de Deus diz que ele sara os quebrantados de coração, Salmos 147:3, e cura-lhes as feridas. O Senhor Jesus diz que o Espírito do Senhor o ungiu para curar os quebrantados de coração. Deus sabe tocar aquela pessoa cujo coração está todo quebrado, despedaçado e trazer restauração emocional. Talvez você tenha sido vítima de abusos, de rejeição mas nós precisamos entender o que é andar no perdão, o que é entender não só o amor de Deus por nós, mas a capacidade de transbordar esse amor, de agir como Estêvão agiu, quando na hora da sua morte, sendo apedrejado de joelhos, não só dizia: “Pai, recebe o meu espírito”, mas dizia “perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.” E Estevão estava seguindo o comportamento do seu Senhor, do seu mestre.

Jesus, que na cruz declarou a mesma coisa: “Senhor, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.” Nós precisamos aprender a entrar nesse lugar de desprender-se completamente das dores do passado, das ofensas que nos fizeram. Essa armadilha da ofensa é algo terrível e tem muita gente presa nas suas dores e, por conta disso, não consegue avançar. Uma outra coisa que nos prende, porque até agora falamos quase só de coisas negativas, mas alguém pode estar preso ao seu passado no que diz respeito à coisas boas. Muitas vezes nós ficamos presos naquilo que Deus já fez e perdemos de vista que ele quer fazer mais. Porque nos contentamos antes da hora com algo inferior ao que Deus ainda deseja fazer na nossa vida. Eu entendo na palavra de Deus uma lição tremenda acerca disso, quando o profeta Eliseu, lá em 2 Reis, no capítulo 4, ele instrui aquela viúva que tinha um problema sério. Ela procura Eliseu e diz: “olha, o teu servo morreu”, porque o marido dela era um dos discípulos de Eliseu, disse: “teu servo morreu, deixou uma dívida.

Não deixou”, a gente diria hoje, “seguro de vida, não deixou previdência, nem a privada nem a falida, não deixou dinheiro guardado, deixou uma dívida. Agora os credores estão à porta querendo levar meus filhos como escravos.” O clamor dela não era por consultoria financeira, era por milagre, por intervenção de Deus. E Eliseu diz para ela: “o que é que você tem em casa?” Ela diz: “eu tenho um pouco de azeite na botija”. Ele diz: “nós vamos começar do que você tem. Peça às suas conhecidas, amigas e vizinhas o máximo de vasilhas vazias que você conseguir. Fecha a porta sobre você.” Ele estava sinalizando que Deus faria um milagre. Mas ele dá uma instrução que muitas vezes me deixava questionando demais o que ele falou, porque ele disse para essa mulher: “você vai colocar todas as vasilhas à sua frente. Vai pegar a que tem um pouco de azeite e começar a derramar na primeira.” Ele estava sinalizando que Deus faria um milagre, que iria transformar ou multiplicar aquele azeite.

Mas ele diz: “quando a primeira estiver cheia pára, pega essa vasilha, põe para trás. Depois você vai para a próxima.” O que é que nós aprendemos com Eliseu? Eliseu estava mostrando que Deus não faria um grande milagre na vida daquela mulher. Que ele faria uma sucessão de vários milagres, que cada uma daquelas vasilhas era um milagre. E ele está dizendo: “quando Deus tiver feito o primeiro milagre”, não quer dizer que eu e você não vamos ser agradecidos pelo que ele fez, mas nós precisamos ter a capacidade de pegar aquilo que Deus já fez, ainda que haja gratidão do nosso coração, colocar isso para trás e focar os olhos na próxima vasilha, no próximo milagre que Deus quer realizar.

Nós muitas vezes estamos presos a um passado que não é só negativo, não é apenas o desejo de voltar ao pecado, não é a culpa do que fizemos, não são só as emoções feridas, alguns de nós estamos presos a coisas boas que Deus já fez e perdemos a perspectiva de que há coisas melhores, há coisas maiores para ainda acontecer nas nossas vidas. Então eu quero te desafiar: não fique preso ao passado, nem mesmo às boas experiências. Que elas sejam apenas um lembrete daquilo que Deus pode fazer. Que você, com gratidão, possa pegar aquilo que Deus já fez, colocar para trás e dizer: “eu não estou preso ao que Deus já fez. Eu tenho olhos para o futuro, eu tenho olhos para aquilo que Deus ainda vai fazer. Eu tenho olhos para aquilo que Deus ainda vai realizar.” E, dessa forma, você vai se desprender de um lugar de conformismo e contentamento, para entrar num lugar de manifestações maiores.

Que o Senhor te ajude, que o Senhor te dê graça e que você não viva preso ao passado em nenhum aspecto, em nome de Jesus. .